Se vai acabar ou não o mundo, eu não sei. Mas o russo Andrew Tarusov (www.tarusov.blogspot.com) imaginou um meio divertido de fazermos nossa contagem regressiva. Um calendário de pin-ups baseado em ilustrações de Gil Elvgren para este ano. Adorei!!! Divirtam-se!!!
Espiralado
Com fanfarras ou noturnos, de passados múltiplos e futuros nebulosos, um espaço para exercitar o narcisismo, a acidez e randômicos pontos de vista para celebrar o presente.
Quem sou eu
- Euler de Freitas
- Escrevinhador barato, compositor, leitor voraz, cozinheiro, músico e bancário nas horas vagas
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Benditas sejam as moças que pedem gostoso
Um dos meus favoritos
Para os que navegam por aqui ou por outras paragens da blogosfera, este cabra-da-peste que, como bom pernambucano, migrou para São São Paulo só para poder sentir saudades sinceras daquela terra de alguém, plantada entre a Torre Malakoff e a varanda do sobrado de Alceu, ele mesmo, Xico Sá, não deve ser novidade. mas para os que ainda não o conhecem, faço questão de compartir uma bela crônica dele, publicada em seu blog, o http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/, hoje pela manhã. Ou aqui ou lá, vale a pena. Evoé, Xico.
Benditas sejam as moças que pedem gostoso
Depois da vadiagem e das cinzas, final de semana inteiro de encanto radical e devoção às moças aqui no blog. Benditas sejam as moças, meu caro Joaquim Ferreira dos Santos.
Depois do choro em público, como vimos no post anterior, enumeramos uma outra grande virtude de uma fêmea: a arte de pedir.
A pedido de uma delas, aliás, uma linda afilhada de Balzac, é que republico esta crônica das antigas, texto desconhecido dos meus mais novos leitores.
Como ia dizendo, como elas pedem gostoso.
Como elas são boas nisso.
Resistir, quem há de?
Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico, noooosa!
É o jeito de pedir, o ritmo safado da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.
Quantos segredos se escondem na covinha de uma mulher.
Pede que eu dou.
Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo!
Estou pedindo: pede!
Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis.
Pede todos os vestidos originais de Yves Saint Laurent. Todas as bolsas caras e metidas da Chanel ou Louis Vuitton? Pede que eu compro nem que seja uma pirata no camelô.
Não me pede nada simples, faz favor.
Já que vai pedir, que peça alto. Você merece.
Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses.
Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, um cheque sem fundos.
Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço, são lindamente barulhentos.
Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.
Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos. É Wando que se recebe.
Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”
Um castelo na Inglaterra?
Sim, eu dou na hora.
Que o Corinthians seja campeão da Libertadores?
Sim, eu opero o milagre.
Como no pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!
Um papel de estrela no novo filme de Almodóvar?
Deixa comigo que já tomo um drinque com ele e adiós.
Pede, benzinho, pede tudo.
Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere?
Pede, minha amada, que o amor tudo pode, por você cumpro as promessas de todos sambas de regenerados.
Que eu suba na pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, e declame os mais lindos poemas de amor verdadeiro?
Só se for agora, estou indo.
Os melhores cremes da Lancôme? Vou a Paris agora, nem que seja a nado.
Eu lhe peço, me pede.
Não pede mimos baratos… Pede ATENÇÃO, por exemplo, a mercadoria fora de catálogo e a mais cara do mundo no momento.
Para os que navegam por aqui ou por outras paragens da blogosfera, este cabra-da-peste que, como bom pernambucano, migrou para São São Paulo só para poder sentir saudades sinceras daquela terra de alguém, plantada entre a Torre Malakoff e a varanda do sobrado de Alceu, ele mesmo, Xico Sá, não deve ser novidade. mas para os que ainda não o conhecem, faço questão de compartir uma bela crônica dele, publicada em seu blog, o http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/, hoje pela manhã. Ou aqui ou lá, vale a pena. Evoé, Xico.
Benditas sejam as moças que pedem gostoso
Depois da vadiagem e das cinzas, final de semana inteiro de encanto radical e devoção às moças aqui no blog. Benditas sejam as moças, meu caro Joaquim Ferreira dos Santos.
Depois do choro em público, como vimos no post anterior, enumeramos uma outra grande virtude de uma fêmea: a arte de pedir.
A pedido de uma delas, aliás, uma linda afilhada de Balzac, é que republico esta crônica das antigas, texto desconhecido dos meus mais novos leitores.
Como ia dizendo, como elas pedem gostoso.
Como elas são boas nisso.
Resistir, quem há de?
Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico, noooosa!
É o jeito de pedir, o ritmo safado da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.
Quantos segredos se escondem na covinha de uma mulher.
Pede que eu dou.
Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo!
Estou pedindo: pede!
Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis.
Pede todos os vestidos originais de Yves Saint Laurent. Todas as bolsas caras e metidas da Chanel ou Louis Vuitton? Pede que eu compro nem que seja uma pirata no camelô.
Não me pede nada simples, faz favor.
Já que vai pedir, que peça alto. Você merece.
Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses.
Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, um cheque sem fundos.
Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço, são lindamente barulhentos.
Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.
Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos. É Wando que se recebe.
Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”
Um castelo na Inglaterra?
Sim, eu dou na hora.
Que o Corinthians seja campeão da Libertadores?
Sim, eu opero o milagre.
Como no pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!
Um papel de estrela no novo filme de Almodóvar?
Deixa comigo que já tomo um drinque com ele e adiós.
Pede, benzinho, pede tudo.
Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere?
Pede, minha amada, que o amor tudo pode, por você cumpro as promessas de todos sambas de regenerados.
Que eu suba na pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, e declame os mais lindos poemas de amor verdadeiro?
Só se for agora, estou indo.
Os melhores cremes da Lancôme? Vou a Paris agora, nem que seja a nado.
Eu lhe peço, me pede.
Não pede mimos baratos… Pede ATENÇÃO, por exemplo, a mercadoria fora de catálogo e a mais cara do mundo no momento.
Pitadas de Itamar Assumpção
Para os que não conhecem este Negro Maldito, paulista de
Tietê e falecido em 2003, seguem abaixo algumas pitadas de sua obra de exímio
letrista e melodista. Um grande beijo.
Vá Cuidar da Sua Vida
Vá cuidar da sua vida
Diz o dito popular
Quem cuida da vida alheia
Da sua não pode cuidar
Quem cuida da vida alheia
Da sua não pode cuidar
Crioulo cantando samba
Era coisa feia
Esse é negro é vagabundo
Joga ele na cadeia
Hoje o branco tá no samba
Quero ver como é que fica
Todo mundo bate palma
Quando ele toca cuíca
Era coisa feia
Esse é negro é vagabundo
Joga ele na cadeia
Hoje o branco tá no samba
Quero ver como é que fica
Todo mundo bate palma
Quando ele toca cuíca
Vá cuidar...
Negro jogando pernada
Negro jogando rasteira
Todo mundo condenava
Uma simples brincadeira
E o negro deixou de tudo
Acreditou na besteira
Hoje só tem gente branca
Na escola de capoeira
Negro jogando rasteira
Todo mundo condenava
Uma simples brincadeira
E o negro deixou de tudo
Acreditou na besteira
Hoje só tem gente branca
Na escola de capoeira
Vá cuidar...
Negro falava de umbanda
Branco ficava cabreiro
Fica longe desse negro
Esse negro é feiticeiro
Hoje o preto vai à missa
E chega sempre primeiro
O branco vai pra macumba
Já é Babá de terreiro
Branco ficava cabreiro
Fica longe desse negro
Esse negro é feiticeiro
Hoje o preto vai à missa
E chega sempre primeiro
O branco vai pra macumba
Já é Babá de terreiro
Vá cuidar...
Sampa Midnight
Sampa midnight
Eu assessorado de mais dois
chegados
Bartolomeu e Ptolomeu
Partimos pra comemorar
Não lembro o que numa boiate
Escabrosa noite
Deu blackout na Paulista
Breu no Trianon
Cadê o vão do museu, sumiu
Meu Deus do céu que escuridão
Três seres transparentes baixaram não sei de onde
Imobilizando a gente e gritando
Não somos gente
Brilhavam, não tinham dentes
Traziam cortantes tridentes incandescentes
Nas frontes três chifres
Falavam rapidamente com gestos intermitentes
Simultaneamente sons estridentes incríveis
Sampa midnight
Eu chumbado com mais dois embriagados
Bartolomeu Ptolomeu
Quisemos levá-los prum bar
Mas qual o que, tomamos cheque-mate
Tenebrosa noite faltou light na Paulista
Breu no Trianon cadê a Consolação
Escureceu o museu onde está o chão
Um trio intrigante desceu do céu num instante
Chegou intimando a gente e berrando
Não somos gente
Cantaram de trás pra diante
Letras fortes, indecentes
Músicas bem excitantes
Provocantes rumbas funks
Cantaram de trás pra frente
Uns reggaes de breque chiques
Bastante pique sambas de roda chocantes
Sampa midnight
Eu assessorado de mais dois chegados
Bartolomeu Ptolomeu
Partimos para comemorar não lembro o que...
Partimos pra comemorar
Não lembro o que numa boiate
Escabrosa noite
Deu blackout na Paulista
Breu no Trianon
Cadê o vão do museu, sumiu
Meu Deus do céu que escuridão
Três seres transparentes baixaram não sei de onde
Imobilizando a gente e gritando
Não somos gente
Brilhavam, não tinham dentes
Traziam cortantes tridentes incandescentes
Nas frontes três chifres
Falavam rapidamente com gestos intermitentes
Simultaneamente sons estridentes incríveis
Sampa midnight
Eu chumbado com mais dois embriagados
Bartolomeu Ptolomeu
Quisemos levá-los prum bar
Mas qual o que, tomamos cheque-mate
Tenebrosa noite faltou light na Paulista
Breu no Trianon cadê a Consolação
Escureceu o museu onde está o chão
Um trio intrigante desceu do céu num instante
Chegou intimando a gente e berrando
Não somos gente
Cantaram de trás pra diante
Letras fortes, indecentes
Músicas bem excitantes
Provocantes rumbas funks
Cantaram de trás pra frente
Uns reggaes de breque chiques
Bastante pique sambas de roda chocantes
Sampa midnight
Eu assessorado de mais dois chegados
Bartolomeu Ptolomeu
Partimos para comemorar não lembro o que...
Mal Menor
Você vai notar olhando ao redor
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for
Sofrer
é antigo por isso que digo
Basta estar vivo pra correr perigo
Pra tudo conte comigo
Darei meu abrigo se quiser abrigo
Se for pra brigar por você também brigo
Pra tudo conte comigo
Basta estar vivo pra correr perigo
Pra tudo conte comigo
Darei meu abrigo se quiser abrigo
Se for pra brigar por você também brigo
Pra tudo conte comigo
Você
vai notar olhando ao redor
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for
Minha
flor de trigo meu licor de figo
Diga aonde irás que é pra lá que eu sigo
Pra tudo conte comigo
Eu quero estar contigo meu sexto sentido
Serei inimigo dos teus inimigos
Diga aonde irás que é pra lá que eu sigo
Pra tudo conte comigo
Eu quero estar contigo meu sexto sentido
Serei inimigo dos teus inimigos
Pra
tudo conte comigo
Vida de
Artista
Na vida
sou passageiro
Eu também motorista
Fui trocador motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais vida de artista
Eu também motorista
Fui trocador motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais vida de artista
Nêgo
Dito
Meu
nome é
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Eu me
invoco eu brigo
Eu faço e aconteço
Eu boto pra correr
Eu mato a cobra e mostro o pau
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Eu faço e aconteço
Eu boto pra correr
Eu mato a cobra e mostro o pau
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Tenho o
sangue quente
Não uso pente meu cabelo é ruim
Fui nascido em Tietê
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Não uso pente meu cabelo é ruim
Fui nascido em Tietê
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Não
gosto de gente
Nem transo parente
Eu fui parido assim
Apaguei um no Paraná, pá, pá, pá, pá
Meu nome é Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Nem transo parente
Eu fui parido assim
Apaguei um no Paraná, pá, pá, pá, pá
Meu nome é Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Quando
tô de lua
Me mando pra rua pra poder arrumar
Destranco a porta a pontapé
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Me mando pra rua pra poder arrumar
Destranco a porta a pontapé
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Se tô
tiririca
Tomos umas e outras pra baratinar
Arranco o rabo do satã
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Tomos umas e outras pra baratinar
Arranco o rabo do satã
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Se
chamá polícia
Eu viro uma onça
Eu quero matar
A boca espuma de ódio
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Eu viro uma onça
Eu quero matar
A boca espuma de ódio
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Se
chamá polícia
Eu vou cortar tua cara
Vou retalhá-la com navalha
Eu vou cortar tua cara
Vou retalhá-la com navalha
Vou
tirar você do dicionário
Eu vou
tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocá-la em miúdos
Mudar meu vocabulário
E no seu lugar
Vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais
Da minha pele
Tirar seu cheiro
Dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
Nem que tenha que inventar
Outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
Com quantos "nãos" se faz um sim
Eu vou tirar o sentimento
Do meu pensamento
Sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
A qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
Dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
O dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
Nem que tenha que inventar
Outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
Com quantos "nãos" se faz um sim
A palavra você
Vou trocá-la em miúdos
Mudar meu vocabulário
E no seu lugar
Vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais
Da minha pele
Tirar seu cheiro
Dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
Nem que tenha que inventar
Outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
Com quantos "nãos" se faz um sim
Eu vou tirar o sentimento
Do meu pensamento
Sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
A qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
Dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
O dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
Nem que tenha que inventar
Outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
Com quantos "nãos" se faz um sim
Que tal
o impossível
Que tal
se nós dois vivêssemos
Do jeito que nós quiséssemos
Sem nada que aborrecêsse-nos
Que tal se tudo tivéssemos
Que tal se realizássemos
Aquilo que nós sonhássemos
Maçãs macias comêssemos
Que tal se nós nos beijássemos
Que tal se nós dois dormíssemos
Olho no olho acordássemos
Que tal se nós felicíssimos
Que tal se nós dois voássemos
Que tal se nós dois pudéssemos
Aquilo que desejássemos
Que tal se nós dois tocássemos
E nós dois dançássemos
Que tal se nós dois partíssemos
Que tal se nós dois ficássemos
Que tal se ao máximo amássemos
Que tal se no céu morássemos
Que tal o impossível?
Que tal o impossível?
Do jeito que nós quiséssemos
Sem nada que aborrecêsse-nos
Que tal se tudo tivéssemos
Que tal se realizássemos
Aquilo que nós sonhássemos
Maçãs macias comêssemos
Que tal se nós nos beijássemos
Que tal se nós dois dormíssemos
Olho no olho acordássemos
Que tal se nós felicíssimos
Que tal se nós dois voássemos
Que tal se nós dois pudéssemos
Aquilo que desejássemos
Que tal se nós dois tocássemos
E nós dois dançássemos
Que tal se nós dois partíssemos
Que tal se nós dois ficássemos
Que tal se ao máximo amássemos
Que tal se no céu morássemos
Que tal o impossível?
Que tal o impossível?
Dor
elegante
Um
homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante
Carrega
o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Ópios,
edens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Recortes do sábado pré-carnavalesco
Exegese
ao gozo incontido
Tão
estranhamente me coloco diante deste balcão
A
mesma rua, o mesmo copo,
Diferente é a sensação.
Como
passear de mãos dadas na areia
Ou
adentrar um jardim de crisântemos.
Entro
no recinto e colho sementes
Lembro
do amigo
Apaixonado
pela vida, como eu
Como
o outro de quem me lembro
Quando
rabisco estas linhas
Como
o irmão que não está mais entre nós
Como
eram belos aqueles olhos sempre vivos
Por
sobre um sorriso de artista
Botticelli,
Raphael... não, por demais renascentistas
Talvez
Goya- somente pela luminosidade -,
Mas,
certamente, jobiniano como eu,
Apaixonado
pela vida.
Cariocas
de nascença ou opção
Tendem
a retratar a realidade de forma lírica
Nessa
Paris tropical de onde retratamos nossa terra
Com
base na melhor semiótica da prosa,
Seja
em poesia,
Seja
panfletária,
Criamos
imagens dos ambientes lúdicos de ontem
Paisagens
lúgubres entristecidas da realidade,
Confiando
nesta cachaça chamada vida que
Quando
ministrada com habilidade faz bem
E
também
Pode
nos matar com os excessos sentimentais
Sendo
Mae West,
Se
boa, boa,
Se
má, melhor ainda
E
viva a diferença do desbunde tupiniquim
Vivam
com alegria a dignidade do artesão-economista-desleixado,
Milionário
e libertário,
Radicado,
agora ilhéu,
Rimbaud
iconoclasta de verdades absolutas.
E
viva o Sidnei Magal!!!
Viva
o direito de não escrever do poeta fatigado!!!
Que
vivam com fina alegria
A
parte boa da saudade,
Que
não amarga, purifica
(em
Ipanema ou Curicica
No
manguecaos de todo dia).
No
teatro ou no cinema
Somos
circenses nessa realidade
Na
guerrilha da Central
Ou
na do Mago Carequinha
De
peito aberto, com os deuses a guardar,
Cordão
de fé apoiado no esterno
E
confiança – não sou nenhum experto.
Com
as chagas da alma isentando-me do medo,
Vou
em frente como bravo guerreiro.
É
interessante o sentimento de impotência
Quando
nos deparamos com o que nos é estranho
E
isto desperta a curiosidade instantânea
Como
também pejorativamente saber-se ciente
De
que só sabemos quanto vale o que pesa
Quando
falha a balança
Quando
o prato cai no abismo
O
dar valor à pressão no chope
Quando
te servem com desdém
Ou
a um belo conto de Fonseca
Quando
assistimos ao noticiário
Pensar
no nóis faiz pra mim comprar
E
ponderar se a gente vamos a algum lugar:
Realidade
fria a torpe
De
nossas almas hipócritas.
Se
isto é evolução da língua
Ou
cena de “Finding Forrester”,
Discutir
poesia russa
Ou
Baudelaire falsificado,
Viva
o Wall Street do fodido,
Agradeço
de bom grado.
Ir
morar numa colônia,
Pescando
o que comer,
Sempre
tem um bar aberto,
Um
bom motivo pra beber.
Viva
a catarse libertária
Da
tentativa de escrever,
Como
um parto, mui sagrado,
Sem
pensar na tecnocracia da arte,
Do
culto querendo que sua erudição fique pop,
Desprezando
Câmara Cascudo,
Inundando
o universo com citações não confiáveis,
Como
as minhas nestas linhas.
Não
quero ser maldito,
Não
quero ser John Malkovich,
Não
quero ser bonito,
Pura
flor de azeviche,
Não
quero ser erudito,
Pato
preto no capim do vale
Ou
Dorival cantando Jorge Ben numa roupa da Mulher do Padre.
Quero
ser vômito,
Acordes
na voz de Carlinhos Brown,
Sem
ser cantor, apenas canto,
Sem
ser títere ou profissional.
Apenas
eu!
Andar
nu entre os passantes,
Trepar
com um homem se quiser,
Não
ter que mostrar o que querem que seja,
Ou
o que não quiserem.
Chegar
ao gozo sem vaidade,
Com
a imunidade de querer que a companhia
Seja
o suficiente para o orgasmo total.
Não
ser egoísta e não pensar nos outros,
Não
ser o equilíbrio, o oposto ou o redundante
Status
quo atual.
Não
ter dinheiro pra nada
E
não querer o querer querer tudo.
No
que amo minha mulher,
Me
orgulho desta afirmação.
Ocupo-me
pouco com ela
Ou
ela se preocupa com muito?
Sempre
amei muito,
Confiando
na filosofia botequiniana
Do
“Quem ama, diz”.
E
quem diz que adora,
Ou
mente pro outro dizendo isto
Ou
pra si, por medo de dizer aquilo.
Adorar
é platonismo,
Amar
é teatro No,
É
pagode no subúrbio.
Difícil
definir amor,
Não
sendo ele, pois, um sentimento.
E
amo de todas as formas, sem medo do depois.
Ele
é uma mistura insólita de sentimentos,
Nem
todos (gases) nobres, mas sinceros como o vento (gás?).
Quando
amo,
Alegro-me,
odeio, desejo, vivo, morro enraiveço,
Entristeço,
devoto, me conheço, me abro, absorvo,
Dou,
como enrubesço, consolo, agradeço,
Quero
colo, enlouqueço!!!
Abro
espaço pro subir no prédio
E
me arremessar no sucesso que rima.
Não
há tédio quando se diz que ama,
Não
há sucesso quando se busca a fama.
Quero
tocar em Montreaux e na FM ODia,
Despertar
consciência crítica,
Fazer
todo mundo pensar.
Não
que queira que gostem de mim
Ou
achem um tipo interessante.
Quero
apenas do lodo tirar a (e atirar à) reflexão.
Amo
quando lêem poesias,
Amo
lê-las.
Amo
textos que me façam odiar os autores.
Amo
hai-kais – centelhas.
Amo
Kátia Alves como alternativa suburbana
A
Débora Colker...
Os
que amo, sabem.
Os
que não, não.
Quero
bem a todos
E,
por isso,
Passo
sermão.
Amo
a vida e quero que a amem;
Amo
os vivos
E
o disco do Chico César, que a eles dedica um romance.
Amo
aquele que passa na rua
E
me acena com reverência.
Mais
ainda aquele que pára.
Para este, eu peço clemência.
Compartilhamentos
Mais uma do espiralado baú do Euler de Freitas.
Afogamento
A
frase é essa:
O
sozinho sou eu!
Isto
mesmo,
Aquele
que se autoentitulava o rei da solidão,
Para
quem o ser lhe bastava com sobras
E
considerava a comuna simples tempero para o feijão com arroz cotidiano.
É
mentira!
Sou
mentira! Maior que a cantada por Roberto Ribeiro.
Sou
que nem a mendiga sem métrica,
Declaro
que estou em tormento,
Assino,
aqui, a declaração de intenções da hecatombe implosiva.
Assumo
que aquele coração que havia ficado em outra Muda para travestir-se de rocha,
Na
realidade, era só gelo,
Que
agora derrete em quenturas destiladas e ensimesmadas,
Independentes,
Complementares,
Que
me fazem cogitar direcionar minha incoerência oblíqua para o nada,
Só
para não fazê-las sofrer,
Só
para poder doer em paz.
Pois
hoje, invento verbos,
Não
somente sinto dor,
Doo.
Inteiro,
Por
mais uma vez não entender como sou possível.
Aliás,
Não
sou impossível,
Sou
apossível.
Amo
em demasia com a mesma intensidade que consigo fazer sofrer.
Devia
ser preso,
Interditado.
Melhor:
compreendido,
Para
que me explicassem que aperto é este,
Que
vácuo de excessos é esse
Que
me oblitera qual praga de madrinha
E
me dá esse dom de Midas às avessas?
Dei
um google no peito e só achei reminiscências,
Recidivas
da mesma peça em outras montagens,
Nada
inédito,
Bricolagem
de mim mesmo, apenas.
Eu,
que tenho tanto para dar (e tão pouco a oferecer),
Morro
aqui,
Aos
poucos,
Como
afogado em útero materno,
Na
amniótica situação
De
amar demais.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Tempo, tempo, tempo, tempo
O tempo de partir,
O tempo de chorar,
O tempo de uma conversa
E as conversas sobre o tempo.
O tempo como era,
Do verbo "foi",
Ou como está, não sei ainda...
Hoje reina Kali (é o que parece)
Ou será que é a da delicadeza (como espero)
Yuga, Age, Temp, Tiempo, Time, Tempus
- The time is the same ina a relative way, but you're older
É exatmente isto,
Tengo miedo de vivir y no saber amar,
Mirar el tiempo,
As rugas,
As horas,
Querendo ser Niemeyer, sabendo, contudo,
Que estou mais para Virginia Woolf.
É tudo recorrente,
Bumerangue nas mãos de crianças.
Razões? Quais?
A falta dele é cancerígena,
A má utilização também.
Não ter tempo mata os amores,
Por disciplina, deixamo-los morrerem.
Por ausência não se vê o seu desenrolar e se é negligente.
- Há quanto tempo, hein?
Por que falamos isso?
Os endereços são os mesmos,
Não mudamos os números dos telefones
E,
Mesmo assim,
Quando foi a última vez que disse "eu te amo"?
Quando visitou aquele amigo distante?
Quando parou a correria do cotidiano para reparar nos transeuntes?
Eu, daqui, sigo a buscar um tempo para mim,
Lembrando Aldir e Cristóvão
E bebendo um pouquinho pra ter argumento.
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